03 dezembro 2008

apaixonar-se no amor

Assim que terminei o Ensino Médio, deixei adolescência, os sentimentos rebeldes e deparei-me com uma nova fase em minha vida: A fase adulta. Das responsabilidades, do controle da minha vida, da busca pelo primeiro emprego, da realização profissional, daquele sonho de sair de casa para morar sozinho, de ser independente de pai e mãe, pagar as minhas próprias contas, sem ter que ouvir palavras como: economize, apague a luz, recolha suas roupas, guarde seus sapatos, coloque a tampa no tubo de pasta, não deixe a toalha molhada em cima da cama (e muitas outras que tenho certeza que você também já ouviu).

Ter a liberdade de poder fazer tudo que vier a cabeça (nada que seja errado) e fazer coisas simples, como: não ter horário para voltar para casa, poder viajar sem ter que pedir o consentimento de ninguém, não me preocupar com horários para ir e vir, ninguém ligando no celular querendo saber onde estou.

Muitos de nós, em busca dessa liberdade, procuramos por uma pessoa que preencha todas as nossas necessidades, pois não conseguimos ser totalmente livres. Precisamos sempre de companhia para dividir conosco anseios, sonhos, alegrias, tristezas, horários, tarefas, carinho e... AMOR.

Então, conhecemos alguém que vem de encontro a tudo que almejamos e nos apaixonamos perdidamente. Pensamos ter encontrado a nossa cara metade.

Já somos donos do nosso nariz o suficiente e o convívio com nossos pais não é mais o mesmo. Eles nos tratam como se fossemos crianças e não suportamos mais o excesso de zelo e as cobranças diárias.

E nisso tudo, o incrível é que rejeitamos todo esse amor que nossos pais nos dão e procuramos esse mesmo amor fora da nossa casa (não falo só para os jovens, mas para todos que já passaram por isso) e, sem dúvida, alguns de nós carregamos essas seqüelas.

Lembra, quando você, mulher, casou-se só para sair de casa? Para não ter horários para voltar e ninguém controlar seu namoro. E você, homem, só para poder receber seus amigos a hora que quisesse e ouvir seu rock no último volume? Pois é disso que eu falo.

Você, que pensou ter encontrado o seu amor...

Eu sei, você até acreditou nisso, mesmo sabendo que lá no fundo não era a pessoa certa. Mas à vontade de liberdade, de poder ser dono da sua vida, o fato de não agüentar mais nenhuma cobrança a levou para outra prisão, que o fez sentir saudades do seu antigo quarto, de sua antiga cama e daquele almoço quentinho sempre na hora certa.

Pois é, em troca dessa tal liberdade, quantas noites em claro você não amargou sozinha em uma cama de casal? Quantas noites você não teve que dormir no sofá da sala, tendo que trabalhar no outro dia, com aquela tremenda dor nas costas? Quanto desrespeito você não tem ou teve que ouvir e engolir em nome de uma família? E agora ficou difícil lutar contra...

Pois é, quando passamos a morar debaixo de um mesmo teto as coisas mudam, as nossas diferenças aparecem, afloram as incompatibilidades. Passamos a não mais suportar as roupas fora de lugar – da mesma maneira que nossas mães não suportavam – a toalha molhada em cima da cama ou nossas coisas espalhadas pelo chão da sala.

Começamos a detestar os amigos do marido ou não suportamos as futilidades e chatices das amigas da nossa mulher. Enfim, começamos a nos entrincheirar para a nossa batalha dentro da nossa própria casa, cada um demarcando seu território. Eles com o controle da televisão e elas com o mouse do computador (ou vice-versa) e as diferenças, as incompatibilidades vão aumentando a cada dia, a cada ano.

Levamos anos para conhecer pouco uma pessoa e dias para sabermos o que nos desagrada nela. Cuidado para não se iludir, para não construir um castelo de areia.

Aquele carinho e amor que lhe prometeram não duraram o tanto que você achou que duraria. O seu companheiro tornou-se um parente próximo daqueles que costumamos conviver no dia-a-dia e já nos habituamos tanto com ele, que não notamos o tamanho da nossa trincheira e o quanto nos tornamos distantes. Acaba-se o encanto e o sonho...

Não estou querendo de nenhuma maneira ser pessimista, em se tratando de amor existe sempre controvérsias. Claro que há pessoas felizes com o seu amor e desejam ficar velhinhas de mãos dadas com seu companheiro.

Mas o amor não é se atirar de cabeça, nem escada para uma liberdade que às vezes pensamos não ter. O amor não é trampolim para pularmos de lá pra cá com o risco de estatelar-se no vazio de nossa alma. Lamento profundamente desapontá-las (los). Isso é paixão, é maravilhoso! É um tesão, mas acaba...

O amor é construído sem pressa, faz eco dentro da nossa alma. O amor nos faz crescer, pois não existe coadjuvante. Os dois são protagonistas.

O amor não compete, não desrespeita, não desconfia. O amor preocupa-se, investe, promete, cumpre. O amor não bate, não ofende, não quer ganhar. O amor dá e recebe.

Tome muito cuidado para não confundir e não usar ninguém como trampolim aos seus sonhos de liberdade. Você poderá acabar em uma prisão de segurança máxima sem direito a visitas. A vida é curta e, provavelmente, não lhe restará tempo para amar de verdade.

ESTOU APAIXONADO!!! s2

Andre Multini

4 comentários:

Glauber disse...

Meu caro companheiro de sentimentos, vivemos em um turbilhão de sonhos e pensamentos.
Pena que as vezes (ou quase sempre) as coisas não saem como a gente espera.
Digo que o amor não se escolhe , ele escolhe a gente, então , vamos esperar o amor alheio abrir os olhos.
Mesmo jovens , sabemos a diferença entre paixão e amor ... vamos a nossa batalha.Ganhar ou perder.
Grande abraço

alma na garganta disse...

é... me vi com todos esses 'tormentos' q ja tive antes de sair de casa, hj moro sozinha, eu comigo mesma e é importante ter esse tempo antes de se 'atrelar' a alguem, pois ai da pra se conhecer melhor e permitir o conhecimento da outra pessoa, enfim...

mto válido esse texto e vc é um fofo q msm sem ter conhecido mto tenho uma simpatia imensa...

bjao.

Dani Luengo disse...

Concordo plenamente com tudo o que disse.
Existem coisas que são muito difícieis e complicadas, e que levam certo tempo para se entender.
Afinal de contas, com amor não se brinca.
Bjãooooooo

Andre Sem Acento disse...

Pois é!
"E o saláriooo óh!"
kkkkkkkkkkkkk